Margarida: a flor que diz sim, diz não, e floresce de novo
Em um campo qualquer, sob o sol e o vento, uma margarida se abre. Sem alarde. Sem perfume intenso. Sem veneno nem espinho. Ela é flor do silêncio — e da presença. Onde há margens, nasce a margarida. Nas estradas, nas hortas, nos quintais.
Ela não grita. Ela sussurra. E, no entanto, está no imaginário de gerações. Diz-se que responde perguntas de amor. Que traz sorte. Que cura. E mesmo sendo flor frágil, resiste ao tempo com a obstinação de quem floresce porque sim.
Bellis perennis: a beleza que é eterna
Seu nome científico é Bellis perennis, que em latim quer dizer “bela perene” — uma flor que se renova ano após ano, mesmo sob geadas e cortes. Nativa da Europa e do Mediterrâneo, a margarida pertence à família das Asteraceae, a mesma do girassol, da camomila, do crisântemo.
Com seus pétalas brancas e miolo amarelo, ela se tornou símbolo universal da pureza, da inocência e da infância. Mas por trás de sua imagem singela, carrega um passado místico, medicinal e até revolucionário.
Da Roma antiga à Idade Média
Para os romanos, a margarida era flor de Vênus, deusa do amor, e era associada à beleza discreta.
Na Idade Média, era usada por cavaleiros em seus escudos como símbolo de lealdade e verdade.
Mulheres medievais a usavam como adivinhação amorosa: o famoso “bem-me-quer, mal-me-quer” nasceu dessa tradição.
Já os druidas a consideravam flor solar, ligada à roda do ano e aos ciclos da natureza.
Mesmo sem ser imponente, ela se infiltrou nas histórias — como faz até hoje.
Margarida como planta medicinal
Poucos sabem que a margarida, especialmente a Bellis perennis, é medicinal. Suas folhas, raízes e flores foram usadas na medicina popular europeia por séculos.
Ela possui:
Propriedades anti-inflamatórias e cicatrizantes
Ação calmante e digestiva leve
Utilidade em compressas para hematomas e contusões
Emprego em infusões para aliviar tosses leves e distúrbios menstruais
No campo, é conhecida como “arnica dos pobres” — pela semelhança em tratar pancadas e inchaços.
A flor do amor e da infância
A margarida está profundamente ligada ao simbolismo do amor inocente:
É colhida por crianças em campos abertos
Despetalada em jogos sentimentais (“bem-me-quer…”)
Presente em desenhos, músicas e livros infantis
Mas também foi flor de protesto. Em 1967, durante manifestações contra a Guerra do Vietnã, ativistas colocaram margaridas nos canos dos fuzis dos soldados. Foi o símbolo do movimento paz-e-amor. Uma flor pequena diante de um fuzil. Mas cheia de sentido.
Cultivo e presença nos jardins
A margarida se propaga fácil:
Gosta de sol pleno
Tolera geadas leves
Pode ser cultivada em vasos ou diretamente na terra
Floresce no final da primavera até o início do outono
Atrai polinizadores e borboletas
É planta de borda, de beira, de caminho. Nunca no centro do jardim, mas sempre presente.
Curiosidades finais
O nome “margarida” vem do grego margarítes, que significa “pérola”.
É flor nacional da Estônia e da cidade de Oxeye, nos Estados Unidos.
Suas pétalas brancas representam a inocência; o centro amarelo, a energia do sol.
Na linguagem das flores, oferecer margaridas significa “tenho intenções puras”.
Algumas variedades foram desenvolvidas para fins ornamentais, com pétalas rosas, roxas ou dobradas.

