
Erva-doce: O Funcho que Deu Nome a Maratona e Carregou o Fogo de Prometeu
Do campo de batalha grego às fazendas de Carlos Magno, da ilha da Madeira ao absinto, a história do Funcho, a planta que no Brasil divide com o Anis o nome de Erva-doce

Do campo de batalha grego às fazendas de Carlos Magno, da ilha da Madeira ao absinto, a história do Funcho, a planta que no Brasil divide com o Anis o nome de Erva-doce

Da química Tapputi, na Mesopotâmia, aos alambiques de Avicena, às luvas perfumadas da corte francesa e ao Chanel Nº 5, o perfume transformou rosas, jasmins e raízes em memória engarrafada

Do Devoniano que as inventou há 360 milhões de anos ao banco de sementes do Ártico que guarda o futuro da alimentação humana — as Sementes são a maior invenção da evolução vegetal e o objeto mais poderoso que existe no reino das plantas

Nativa da Mata Atlântica e de florestas vizinhas da Bolívia, do Paraguai e da Argentina, a Jabuticaba dá frutos colados ao tronco, estraga em 3 dias e guarda na casca escura antocianinas que a ciência começa a desvendar

Trazida à Bahia em 1626 pelo Conde de Miranda, a Fruta-do-conde depende da polinização feita à mão, guarda nas sementes substâncias que matam insetos e deu origem à atemoia em Miami

Da bolsa ritual de mil anos encontrada nos Andes aos seringais do Acre, onde nasceram o Santo Daime, a Barquinha e a União do Vegetal, a Ayahuasca une um cipó e uma folha numa química que o conhecimento indígena dominou muito antes da ciência

Dos gregos que explicaram o mundo sem os deuses a Humboldt, Darwin e Martius, que descreveu 22.767 espécies brasileiras, o naturalismo ensinou a olhar para as plantas, replantou a Floresta da Tijuca e abriu caminho para o ambientalismo

Do cempasúchil asteca ao cravo-de-defunto brasileiro, a Tagete enfeita os altares de 2 de novembro, protege hortas com suas raízes e colore gemas com a luteína de suas pétalas

Da China que a cultivou há 3.000 anos ao fruto que ganhou o nome de uma cidade marroquina — a Tangerina saiu de Tânger para a Europa no século XIX e hoje é o citro mais consumido no mundo durante o inverno asiático como símbolo de prosperidade

Da Europa que a gerou ao suco que atletas tomam antes de competir — a Beterraba é a raiz que Napoleão transformou em açúcar para substituir a cana, que tingiu os lábios das mulheres romanas e que a ciência confirmou melhorar o desempenho esportivo

Domesticada ao mesmo tempo no Levante e no Cáucaso há 11 mil anos, transformada em vinho nos jarros da Geórgia e salva da filoxera por raízes americanas, a Uva chegou ao Brasil em 1532 e hoje dá 2 safras por ano no sertão

Das florestas do Sri Lanka aos frascos fenícios de 3 mil anos, ao óleo sagrado do Êxodo e à mesa do arroz-doce, a Canela foi protegida por lendas de pássaros gigantes, disputada por impérios e hoje chega ao Brasil quase sempre como Cássia, uma parente mais barata e rica em cumarina

Das montanhas europeias que o geraram ao drinque que foi proibido em 12 países por enlouquecer artistas — o Absinto é a bebida de Van Gogh, Picasso e Oscar Wilde, feita de Artemisia absinthium, a planta mais amarga que existe

O grão-de-bico é um dos alimentos mais antigos da humanidade, moldou culturas e tradições ao redor do mundo, sendo rico em nutrientes e extremamente versátil na culinária

Cultivada há pelo menos 7 mil anos, posta nos olhos da múmia de Ramsés IV e plantada pelos açorianos no Rio Grande do Sul, a Cebola é um bulbo feito de folhas que faz chorar quem a corta e abre quase toda receita brasileira

Fiado há mais de 7 mil anos no Vale do Indo, domesticado também no México e no Peru, o Algodão deu à Europa a chita indiana, alimentou as fábricas inglesas e a escravidão americana, e hoje tem no Brasil o maior exportador do mundo

Domesticado a partir do Cupuí há 5 a 8 mil anos no Rio Negro, o Cupuaçu tem polpa com perfume de chocolate e abacaxi e sementes que viram cupulate. Em 2004, organizações brasileiras derrubaram no Japão o registro de seu nome como marca

Desenhado por Plukenet em 1705, batizado por Desvaux em 1827 e estudado em 2021 como possível planta eussocial, conheça a história do Chifre-de-veado

Domesticada no Crescente Fértil junto com o Trigo e a Cevada, servida como luxo a Luís XIV e cruzada 28 mil vezes por Mendel, a Ervilha só teve os últimos genes das 7 características do monge decifrados em 2025

Dos desertos da Península Arábica que a geraram aos quintais brasileiros, a Babosa tem mais de 500 parentes, atravessou as rotas comerciais da Antiguidade e hoje divide a ciência entre o gel que acalma e o látex que exige cuidado

Do Japão que o consagrou ao pinheiro que sobreviveu à bomba de Hiroshima — o Bonsai é a arte de conter o infinito dentro de um vaso pequeno

Parente da Cannabis, o Lúpulo passou pelos mosteiros medievais, virou ingrediente obrigatório na Baviera em 1516 e hoje começa a ser cultivado no Brasil, que ainda importa 99% do que usa

Cultivado na Mesopotâmia há 4 mil anos, o Alho foi guardado no túmulo de um faraó, oferecido a Hécate, temido por vampiros e hoje está no centro de uma disputa comercial entre Brasil e China

Híbrida da Couve com o Nabo, a Colza iluminou lamparinas, lubrificou máquinas a vapor e navios aliados, e só virou Canola em 1974, quando cientistas canadenses criaram o óleo duplo zero que hoje também cresce nos invernos do Rio Grande do Sul

Cultivada pelos Totonacas, cobrada como tributo pelos Astecas e estéril fora do México até 1841, a Baunilha é o fruto de uma orquídea que só ganha aroma depois de meses de cura, e o Brasil tem suas próprias espécies nativas

Do caoutchouc de La Condamine às sementes levadas por Wickham, do Teatro Amazonas aos empates de Chico Mendes, a Seringueira escreveu uma história de riqueza e tragédia na Amazônia

Das panelas da civilização do Indo aos rituais de casamento na Índia e à capital do açafrão em Goiás, conheça a história da Cúrcuma, da curcumina e da fraude do chumbo

Cultivada no Peru há cerca de 4.500 anos, a Goiaba ganhou nome caribenho, virou invasora em Galápagos e, no Brasil, substituiu a marmelada portuguesa

Domesticado no norte da China há mais de 10 mil anos, o Painço chegou à Europa da Idade do Bronze, virou o macarrão de Lajia e é parente dos milhetes que dão cerveja na África

Das florestas europeias e das praias do Chile que guardavam suas espécies ancestrais ao cruzamento acidental na França do século 18, o Morango moderno é um híbrido com 8 conjuntos de cromossomos e sementes do lado de fora

Domesticada há 12 mil anos no leste da Ásia, a Cannabis deu fibra às velas dos navios, entrou nos rituais da Índia e da Jamaica e foi proibida no Rio de Janeiro em 1830. Hoje volta à ciência com o CBD e ao debate jurídico no Brasil

Das encostas do Mediterrâneo, onde os gregos o chamaram de flor divina, às lapelas de Oscar Wilde, ao Dia das Mães americano e aos fuzis dos soldados de Lisboa em 1974, o Cravo é a flor que já significou amor, luto, provocação e liberdade

Cercada de lendas sobre imortalidade, a Kombucha passou pela Rússia como kvass de chá, virou moda nos Estados Unidos, inspirou roupas de celulose e ganhou regras próprias no Brasil em 2019

Cultivada na China desde o século 3 antes da era comum e chegada à Europa como a cebola estrangeira, a Cebolinha tem uma prima nativa de 3 continentes e virou, no Brasil, metade do maço de cheiro-verde

Do Mediterrâneo que o gerou ao tempero que os gregos plantavam nos túmulos para trazer felicidade aos mortos — o Orégano tem mais antioxidantes que a maioria das frutas e o óleo essencial é mais potente que muitos antibióticos sintéticos

Da floresta de Arslanbob aos casamentos romanos, da doutrina das assinaturas à juglona que mancha as mãos, a Noz guarda séculos de história dentro de 2 cascas

Da mesma espécie do Repolho e do Brócolis, a Couve nasceu no Mediterrâneo oriental, foi juramento grego, ganhou elogios de Catão e hoje acompanha o caldo verde e a feijoada

Título sugerido: Urucum: O Vermelho que Caminha Descreveu em 1500 e Hoje Tinge o Cheddar
Excerto
Das margens dos rios amazônicos, onde foi domesticado, à carta de Pero Vaz de Caminha, aos cabelos dos Tsáchila e ao queijo cheddar, o Urucum é o corante natural que pintou povos inteiros e ainda colore boa parte da comida do mundo

Dos botões queimados em Terqa há 3.700 anos à guerra holandesa nas ilhas Ambon e às mudas levadas de Ternate em 1770, conheça a história do Cravo-da-índia

Do nome de Averróis à toxina descoberta na USP, a Carambola viajou com navegadores austronésios, ganhou nome português e chegou ao Brasil em 1817

Das restingas do Nordeste que o geraram às fábricas de castanha da Costa do Marfim, o Caju é um fruto que se come pelo lado errado, com a semente pendurada do lado de fora

Da inscrição citada por Heródoto às esculturas de Natal em Oaxaca e à colheita na Estação Espacial, conheça a história do Rabanete

Mais próximos dos animais do que das plantas, os fungos surgiram há cerca de 1 bilhão de anos, vivem nas raízes de quase todas as plantas, deram a penicilina e ainda têm a maior parte de suas espécies sem nome

Domesticado no norte da América do Sul há mais de 6 mil anos, encontrado por Colombo no Caribe e cultivado em estufas aquecidas por aristocratas britânicos, o Abacaxi é uma bromélia feita de até 200 flores e movida por uma enzima que digere carne

Com nome vindo do árabe e flores que são centenas de florzinhas, o Dente-de-leão espalha sementes-clone que voam com um anel de vórtice descoberto em 2018. Sua raiz vira café, as flores viram o vinho de Ray Bradbury e uma prima já deu borracha para pneus

Descrita por Oviedo em 1526 e espalhada cedo pela Ásia e pela África, conheça a história da Graviola, da polinização difícil ao mito contra o câncer

Da árvore que vive das raízes vizinhas ao comércio de Timor, ao esgotamento das florestas do Havaí e ao contrabando na Índia, conheça a história do Sândalo

Da África que o gerou ao fruto que os faraós comiam gelado com neve trazida do Líbano — o Melão tem 5.000 anos de cultivo, é 90% água e foi tão valorizado em Roma que Columela escreveu um tratado inteiro sobre como cultivá-lo

Das florestas da África Ocidental que a geraram ao nome mais reconhecido do mundo — a Cola é a semente sagrada que os Yorubás ofereciam como supremo gesto de hospitalidade e que batiza a bebida mais vendida da história sem estar mais na fórmula

Das florestas boreais que o geraram ao superalimento mais estudado da medicina preventiva — o Mirtilo tem 13.000 anos de uso humano documentado e as antocianinas que colorem suas bagas são os antioxidantes mais potentes encontrados em qualquer fruta
Os Alquimistas Estão Chegando
Eu sou o Ricardo Caúla, da Região dos Lagos, no Brasil, e reúno por aqui minhas histórias de plantas.
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