
Pantanal: A Planície que Vive no Ritmo das Cheias
Entre Brasil, Bolívia e Paraguai, o Pantanal fica 80% alagado na estação das chuvas, guarda milhões de jacarés e abriga uma arara que depende de uma árvore plantada pelo seu próprio predador

Entre Brasil, Bolívia e Paraguai, o Pantanal fica 80% alagado na estação das chuvas, guarda milhões de jacarés e abriga uma arara que depende de uma árvore plantada pelo seu próprio predador

Das ilhas do Sudeste Asiático, onde os austronésios o domesticaram há cerca de 5 mil anos, às mesas de Confúcio, à Inglaterra medieval e às serras do Espírito Santo, o Gengibre é uma raiz em forma de chifre que viajou o mundo como remédio, tempero e bebida fermentada

Único bioma 100% brasileiro, a Caatinga guarda pinturas rupestres, um Umbuzeiro que estoca 4 mil litros de água nas raízes e uma ararinha que voltou a voar depois de ser extinta na natureza

Das aldeias neolíticas da Itália, onde já era cultivada há 7.500 anos, às guerras do ópio e aos hospitais modernos, a Papoula deu origem ao primeiro alcaloide isolado de uma planta, a morfina, e até hoje divide a humanidade entre o alívio da dor e a dependência

Da lenda de Kaldi, escrita só em 1671, à proibição em Meca, à Cantata de Bach e à queima de 78 milhões de sacas no Brasil, conheça a história do Café

De Teofrasto a Filippo Strozzi, da lenda de Cinara ao aperitivo Cynar, a Alcachofra é uma flor colhida antes de abrir que hoje tem capital nacional no interior paulista

Cacto que sobe em árvores, a Pitaya tem flores que vivem uma única noite, foi levada pelos franceses ao Vietnã e hoje ganha no Brasil as primeiras cultivares nacionais, que dispensam a polinização de madrugada

Do chorão chinês batizado por engano com o nome da Babilônia ao pároco inglês que mastigou sua casca, o Salgueiro deu nome à salicina e abriu caminho para a Aspirina, que ganhou o nome de outra planta

Das florestas de louros que cobriam o sul da Europa há milhões de anos às coroas dos Jogos Píticos, dos poetas laureados e dos generais romanos, o Louro é a folha que honrou vencedores, purificou a boca da Pítia em Delfos e ainda tempera o feijão brasileiro

Nativa das restingas brasileiras e prima do Caju e da Manga, a Aroeira dá a pimenta-rosa que conquistou a cozinha francesa, virou praga na Flórida, pede licença na crença popular e acaba de ganhar Indicação de Procedência em São Mateus

Das roças do Equador e do México, onde já era cultivada há 6 mil anos, aos 78 tipos de Pimenta das mulheres Baniwa e ao recorde da Pepper X, a Pimenta é o fruto que inventou a ardência para afastar roedores, conquistou o mundo em poucas décadas e guarda o mau-olhado nas portas brasileiras

Cultivada na China desde o século 3 antes da era comum e chegada à Europa como a cebola estrangeira, a Cebolinha tem uma prima nativa de 3 continentes e virou, no Brasil, metade do maço de cheiro-verde

Batizada pelos gregos em homenagem às abelhas, cultivada nos mosteiros e destilada pelos carmelitas de Paris em 1611, a Erva-cidreira divide o nome no Brasil com uma planta nativa das Américas e um capim asiático, todas unidas pelo perfume de limão

Da China que o criou há 2.000 anos ao hambúrguer vegano do século XXI — o Tofu foi descoberto por acidente quando um cozinheiro chinês deixou leite de soja coagular com sal marinho e hoje é a proteína vegetal mais consumida do mundo

Dos estromatólitos de 3,48 bilhões de anos às cianobactérias que encheram o ar de oxigênio e ao cloroplasto nascido de uma parceria, conheça a história da vida contada pelas plantas

Do mesmo arbusto saem o chá verde, o preto, o branco e o matcha: nascido entre a China, a Índia e Mianmar, o chá virou cerimônia zen, moda na corte inglesa por uma princesa portuguesa, estopim em Boston e plantação de imigrantes japoneses no Vale do Ribeira

Com cerca de 1.000 espécies nas Américas, o Antúrio tem uma folha colorida que parece flor, abelhas que coletam seu perfume e uma história que passa pelo Havaí e por Campinas

Das florestas selvagens das montanhas Tian Shan às serras catarinenses, a Maçã percorreu a Rota da Seda, se misturou com a macieira selvagem da Europa e entrou para os mitos de Eris, Iduna e Avalon, para a física de Newton e para a logomarca de um computador

Da mesma espécie do Repolho e do Brócolis, a Couve nasceu no Mediterrâneo oriental, foi juramento grego, ganhou elogios de Catão e hoje acompanha o caldo verde e a feijoada

Nativo das ilhas do sudeste asiático, o Capim-limão é um capim parente do Arroz que guarda citral nas folhas, perfuma o tom yum tailandês, atrai enxames de abelhas e virou chá de quintal no Brasil, onde divide o nome de Erva-cidreira com outras 2 plantas

Dos gregos que explicaram o mundo sem os deuses a Humboldt, Darwin e Martius, que descreveu 22.767 espécies brasileiras, o naturalismo ensinou a olhar para as plantas, replantou a Floresta da Tijuca e abriu caminho para o ambientalismo

Surgidas no Devoniano, há mais de 380 milhões de anos, as árvores viraram carvão, ar, chuva, remédio e deuses, e hoje somam cerca de 3 trilhões no planeta e 73 mil espécies, com o Brasil à frente em diversidade e perdendo parte dela a cada ano

Da China que a cultivou há 3.000 anos ao fruto que ganhou o nome de uma cidade marroquina — a Tangerina saiu de Tânger para a Europa no século XIX e hoje é o citro mais consumido no mundo durante o inverno asiático como símbolo de prosperidade

Domesticada na Ásia Central em tons de roxo e amarelo, a Cenoura só ficou laranja na Holanda, sem provas de homenagem à Casa de Orange. Virou mito de guerra na Inglaterra e, no Brasil, ganhou a variedade Brasília, criada para o calor tropical

Presentes em cerca de 60 famílias de plantas, as Suculentas inventaram a mesma solução várias vezes, viraram pedras vivas na África, entraram no brasão do México e hoje sofrem com a coleta ilegal na Caatinga

Parente da Cannabis, o Lúpulo passou pelos mosteiros medievais, virou ingrediente obrigatório na Baviera em 1516 e hoje começa a ser cultivado no Brasil, que ainda importa 99% do que usa

Com nome de pote de barro, o Cambuci sumiu da paisagem paulistana, sobreviveu em áreas de proteção e voltou à mesa graças a festivais e produtores da Serra do Mar

Das fibras selvagens de uma caverna na Geórgia ao vestido tecido mais antigo conhecido, a história do Linho passa por templos egípcios, telas venezianas e campos da Normandia

Híbrida da Couve com o Nabo, a Colza iluminou lamparinas, lubrificou máquinas a vapor e navios aliados, e só virou Canola em 1974, quando cientistas canadenses criaram o óleo duplo zero que hoje também cresce nos invernos do Rio Grande do Sul

Da Europa que a gerou ao campo de flores que simboliza inocência e amor — a Margarida foi a flor favorita de Maria Antonieta, é tecnicamente duas flores em uma e seu nome vem do grego margarítes, pérola

Prima do Açaí, a Juçara quase desapareceu por causa do palmito, viu suas sementes encolherem com o sumiço dos tucanos e hoje ganha uma segunda chance com a polpa colhida sem cortar a palmeira

Do teosinto do vale do rio Balsas, domesticado há cerca de 9 mil anos, à pipoca dos peruanos de 6.700 anos atrás e à pamonha das festas juninas, o Milho é o grão com que os maias diziam ter sido feita a humanidade e hoje coloca o Brasil entre os maiores exportadores do mundo

Confundida com pimenta pela expedição de Colombo, a Pimenta-da-jamaica ganhou dos ingleses o nome de todas as especiarias, perfumou a fumaça do jerk e quase teve sua indústria arruinada por bengalas

Domesticado na China há cerca de 8 mil anos, o Pêssego virou fruta da imortalidade no mito de Xi Wangmu, ganhou dos romanos um nome errado e encontrou no Sul do Brasil um lar para pomares e conservas

Das montanhas europeias que o geraram ao drinque que foi proibido em 12 países por enlouquecer artistas — o Absinto é a bebida de Van Gogh, Picasso e Oscar Wilde, feita de Artemisia absinthium, a planta mais amarga que existe

Com nome persa e cerca de 200 espécies, o Jasmim virou guirlanda na Índia, flor nacional nas Filipinas e na Indonésia, chá em Fuzhou e perfume em Grasse, e ainda ajudou a ciência a descobrir os hormônios de defesa das plantas

Domesticado antes do Trigo, o Figo é uma bolsa de flores polinizada por uma vespa minúscula, aparece no Gênesis e no Alcorão e chegou a Valinhos em 1901 pelas mãos de um imigrante italiano

Das restingas do Nordeste que o geraram às fábricas de castanha da Costa do Marfim, o Caju é um fruto que se come pelo lado errado, com a semente pendurada do lado de fora

Cobrado como imposto em 701, transformado em folha em Asakusa por volta de 1750 e salvo pelas pesquisas de uma cientista que nunca foi ao Japão, o Nori é uma alga vermelha com história de 3 países

Nativa da Mata Atlântica e de florestas vizinhas da Bolívia, do Paraguai e da Argentina, a Jabuticaba dá frutos colados ao tronco, estraga em 3 dias e guarda na casca escura antocianinas que a ciência começa a desvendar

Sagrado para Zeus, para os druidas e para o deus germânico do trovão, o Carvalho escondeu um rei inglês, deu tinta aos manuscritos, cortiça às rolhas e madeira aos barris, e hoje tem quase 1 em cada 3 espécies ameaçadas de extinção

Das encostas da costa do Malabar às narinas da múmia de Ramsés II, dos armazéns de Roma ao resgate de Alarico e às lavouras de Tomé-Açu, a Pimenta-do-reino foi a especiaria mais cobiçada do comércio antigo e ganhou no Brasil uma segunda casa graças a 20 mudas trazidas de Singapura

Dos abrigos de pedra de Honduras, onde foi comido há 11 mil anos, ao avocado toast, o Abacate sobreviveu à extinção dos animais que espalhavam suas sementes e hoje depende de uma única árvore plantada por um carteiro da Califórnia

Domesticada na China e perto do Cáucaso, a Pera passou pela Odisseia, virou poiré na Normandia, nomeou a ópera chinesa e hoje chega ao Brasil quase toda importada

Domesticada há 12 mil anos no leste da Ásia, a Cannabis deu fibra às velas dos navios, entrou nos rituais da Índia e da Jamaica e foi proibida no Rio de Janeiro em 1830. Hoje volta à ciência com o CBD e ao debate jurídico no Brasil

Da lenda de Naiá aos jardins de Chatsworth, a planta amazônica de folhas gigantes ganhou o nome de uma rainha, prende besouros dentro da flor e escondeu uma prima por 177 anos

Das savanas da África Ocidental que o domesticaram aos terreiros da Bahia e às plantações da Paraíba, o Inhame virou palavra portuguesa, comida de orixá, festa de colheita dos Igbo e matéria-prima dos hormônios da pílula anticoncepcional

Nativa de um punhado de ilhas vulcânicas da Indonésia, a Noz-moscada foi comerciada há 3.500 anos, provocou o massacre dos bandaneses pela Companhia Holandesa em 1621 e entrou no tratado que deixou Nova Amsterdã com os ingleses, antes de chegar ao molho branco brasileiro

Nativo da Ásia tropical e batizado pelos gregos como erva real, o Manjericão virou deusa na Índia, sinal da cruz nas igrejas ortodoxas, tragédia no Decameron, declaração de amor em Portugal e alma do pesto de Gênova

Dos fósseis de 35 milhões de anos às estufas do Equador, a Rosa foi flor de Afrodite e de Maria, deu nome a uma guerra, precisa de 3 mil kg de pétalas para 1 kg de óleo e só passou a florescer o ano inteiro na Europa depois da chegada das Rosas chinesas
Os Alquimistas Estão Chegando
Eu sou o Ricardo Caúla, da Região dos Lagos, no Brasil, e reúno por aqui minhas histórias de plantas.
Conheça meu outro projeto: